
Parques estaduais urbanos de São Paulo passam a integrar o Programa Muralha Paulista
19/06/2026
PASSAGEM GRATUITA PARA IDOSOS: SAIBA QUEM TEM DIREITO E O QUE FAZER EM CASO DE RECUSA”.
19/06/2026Por Eliseu Gabriel
São Paulo precisa decidir uma questão fundamental: os parques públicos devem continuar sendo espaços de convivência, contato com a natureza e lazer para todos ou serão transformados em negócios para poucos?
Tenho acompanhado com preocupação o avanço de um modelo que trata áreas públicas como oportunidades de exploração comercial. Cada vez mais, parques que deveriam ser livres e acessíveis acabam ocupados por eventos caros, publicidade excessiva, cercamentos, estruturas temporárias e atividades que limitam o uso coletivo.
O resultado é sentido por quem frequenta esses espaços diariamente. O cidadão comum encontra mais restrições, menos tranquilidade, menos áreas disponíveis para caminhar, descansar ou simplesmente aproveitar o contato com a natureza. Ao mesmo tempo, a fauna silvestre sofre as consequências desse processo: muitos animais são expulsos de seus habitats e inúmeros acabam morrendo.
É preciso afirmar com clareza: parque público não é shopping center. Não é camarote. Não é ativo financeiro. Parque é patrimônio da população. É o lugar onde crianças brincam, idosos caminham, trabalhadores descansam após uma jornada intensa e famílias convivem em segurança e harmonia com a natureza. É também um espaço essencial para o equilíbrio ambiental e para a qualidade de vida de uma metrópole como São Paulo.
Evidentemente, manutenção é importante. Investimentos são necessários. A população merece parques bem cuidados, seguros e com infraestrutura adequada. No entanto, isso não pode servir de justificativa para transformar bens públicos em máquinas de lucro privado ou para subordinar o interesse coletivo a interesses econômicos.
Proteger essas áreas significa defender o meio ambiente, a qualidade de vida, o direito à cidade e uma concepção de democracia urbana em que o interesse público prevalece sobre a mercantilização dos espaços coletivos.

